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O que é que se está a passar com a série do Poirot?

Sexta-feira, 30.07.10

 

Sim, o que é que se está a passar com a série do Poirot?


Embora não tenha lido todos os livros da Agatha Christie com o famoso detective, contrariamente aos Miss Marple que li todos, há uns que li e reli, os meus preferidos, e este Encontro com a Morte que vi ontem na série, é um dos meus preferidos. Reconheci as personagens mas o guião estava muito rebuscado. A personagem principal, a mãe odiada, é uma das personagens femininas mais arrepiantes da Agatha Christie e aqui estava completamente descaracterizada, muito telenovelística. Além disso, e sem querer estragar o verdadeiro final do livro, o(a) assassino(a) não era nenhum(a) dos(as) mais prováveis, o que dá à história original um interesse acrescido. Aqui na série deram umas voltas e reviravoltas ao guião até se assemelhar a uma telenovela, verdade!, a uma telenovela! Como se os livros da Agatha Christie precisassem de mais exotismos e arabescos para se tornarem interessantes.

 

Este fenómeno, tornar exótico um produto já de si suficientemente interessante, já o vimos n' Os Tudor, série em que a vida de Henrique VIII é transformada num produto pouco histórico para consumo de massas. Se isto não é uma completa falta de respeito com os consumidores finais, os espectadores, o que será? E já nem digo uma completa falta de respeito com a própria história do país, do povo, etc. e tal, e aqui, neste caso da série do Poirot,  uma completa falta de respeito com a autora, Agatha Christie. Quem permite estas amolgadelas culturais?

 

 

 

Aqui também sobre Poirot e a ficção nacional e a preferência do público pelas telenovelas...

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:50

A cultura pueril não gosta de crianças e muito menos de velhos

Domingo, 18.07.10

 

Esta constatação fi-la já há muito tempo, mas hoje é com enorme perplexidade que a repito aqui. Perplexidade, pela indiferença geral relativamente a esta completa ausência de sensibilidade e de responsabilidade da cultura pueril em relação a estas duas fases fundamentais de uma comunidade: a infância (as promessas de futuro, a lógica da continuidade da vida, a inteligência viva e desafiadora) e a velhice (a experiência, a sabedoria, as sínteses, as histórias, a memória). Uma comunidade sem crianças nem velhos  está condenada.

Um exemplo surpreendente da indiferença geral (com algumas excepções de pais preocupados e de um ou dois jornalistas atentos): o fecho previsto de quase mil escolas pelo país fora. A criançada deve ser desenraizada das suas comunidades para melhor aprender a ser modernaça.

Um exemplo do cinismo em relação aos mais velhos: a forma pueril como se fala da morte antecipada.

 

A cultura pueril vive no eterno presente, não quer envelhecer. Ela própria comporta-se como criança mimada, logo deve ser o centro das atenções. Deve cuidar de si, da sua pele, evitar as rugas, ter as mordomias todas que o dinheiro pode adquirir. Dar-se a todos os luxos e extravagâncias, não ter limites para as suas fantasias pueris e caprichosas. No seu mundo não há limites para nada, nem para os seus desejos impulsivos: quero e obtenho.

Onde é que a criança entra aqui? Como um objecto maleável à nossa imagem e semelhança, um protótipo de alguém modernaço como nós. Alguém que podemos treinar para macaquear sucessos escolares e desportivos para mostrar aos amigos pueris como nós. Crianças precocemente envolvidas nas questões modernaças da cultura pueril.

E os velhos? Deles quer distância. A velhice é uma doença a evitar e há sítios próprios, há soluções. São essencialmente um fardo, uns chatos. Já não produzem e o que produziram já passou de prazo. O passado não interessa. Nós somos o futuro, nós os modernaços.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:15








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